sexta-feira, 12 de março de 2010

Entrevista com Mark Mekelburg (Dr. P.P.P.Pipoca)


No mês de Fevereiro fomos visitar um dos fundadores da Operação Nariz Vermelho, Mark Mekelburg, também conhecido por Dr.P.P.P.Pipoca.

Quando chegámos às instalações tínhamos à nossa espera o Sr. Mark Mekelburg, a sua secretária Rita e ainda um bolo de chocololate muito saboroso.

Começámos a entrevista por perguntar como tinha surgido esta ideia dos doutores palhaços e percebemos que a ideia partiu de um grupo americano (Big Apple circus) que foi um dia fazer uma apresentação a um hospital e como não podiam aceder ao piso superior, só as crianças com mobilidade tiveram acesso ao espectáculo. Sem pedir autorização um dos palhaços decidiu subir e foi abordado por um médico que lhe disse que o hospital não era um lugar para palhaços e a sua resposta foi: "Concordo Doutor, também não é um lugar para crianças.". Esta ideia de alegrar as crianças hospitalizadas espalhou-se e deu depois origem a grupos brasileiros, franceses e espanhóis.

Em Portugal, em Setembro de 2001, Beatriz Quintela convidou dois amigos, Mark e Bárbara para a ajudarem na criação da Operação Nariz Vermelho.

Através desta entrevista percebemos também que o trabalho do palhaço é levado muito a sério. Um doutor palhaço além de dominar as técnicas artísticas tem também formação específica sobre o espaço hospitalar e a criança. "Queremos ser os melhores palhaços possíveis" diz Mark.

Os doutores palhaços recebem ensinamentos de higiene, de patologia, de serviços específicos (doenças infecciosas) e de relações com os outros. " O nosso trabalho é essencialmente construção de pontes entre as crianças e a equipa médica". Todos os palhaços que trabalham na Operação Nariz Vermelho têm que ser experientes na arte do espectáculo e passam por um ano de estágio.

Os doutores palhaços trabalham em duplas, pois assim têm mais possibilidades de improvisar brincadeiras, mas também para se apoiarem um ao outro, visto que é um trabalho emocionalmente cansativo. Cada dupla trabalha 3 meses no mesmo hospital para ser possível a criação de laços com as crianças. "O nosso trabalho tem efeitos terapêuticos mas o objectivo não é fazer terapia, estamos lá pela criança." O palhaço põe a realidade debaixo de uma lupa, exagerando-a e isso faz com que a realidade seja menos dura.

O Dr. Pipoca contou-nos uma história muito emocionante para demonstrar como nem sempre os palhaços ganham a confiança da criança à primeira. Um rapaz chamado Gonçalo estava internado no hospital e gritava cada vez que via os doutores palhaços, nunca os deixando entrar no seu quarto. Mas ao fim de 6 meses já aceitava a sua presença e passado um ano até convidou dois doutores palhaços para a sua festa de aniversário. Mas infelizmente, pouco tempo depois o Gonçalo faleceu e o mais espantoso foi que os pais do Gonçalo pediram a dois doutores palhaços para irem ao seu velório.

"Quando há desafios e temos que conquistar a pouco e pouco a confiança da criança é muito gratificante conseguir chegar à criança e construir a ponte".

Sem comentários:

Enviar um comentário